• Dr. Guilherme D`Andréa Saba Arruda

TAVI: Análise do Estudo Parter 3- seguimento de 2 anos

A troca da valva aórtica por cateter foi recentemente incorporada no rol da Agência Nacional de Saúde no Brasil. Isso é um dado animador, tendo em vista que muitos pacientes podem se beneficiar desse tratamento, o que poderia democratizar o seu acesso.


Um dos pontos principais é entender e saber mais dados de seguimento desses pacientes submetidos a esse procedimento.


Foi publicado, recentemente, o estudo PARTNER 3 com os dados de seguimento de 2 anos. O desenho do estudo envolveu 1000 pacientes com estenose aórtica grave e baixo risco cirúrgico. Além disso, os pacientes tinham uma mortalidade relacionada ao procedimento de 4%, validade pelo STS score. O tratamento envolvia o uso da prótese SAPIEN 3 (balão expansível) ou a cirurgia cardíaca aberta convencional. O end point era composto de morte geral, AVC e re-hospitalizações em 2 anos.


Em relação aos resultados, a idade média era de 74 anos de idade. O procedimento percutâneo esteve relacionado a uma redução de 37% na taxa do end point primário (11,5% vs 17,4%; HR 0,63; p=0,007) para não inferioridade. Diferentemente dos resultados observados com 1 ano de acompanhamento, não houve diferença entre os grupos em relação:

  • Morte (2,4% TAVI vs. 3,2% cirurgia; p=0,47);

  • AVC (2,4% TAVI vs. 3,6% cirurgia; p=0,28).

Todavia, houve redução de re-hospitalizações favoráveis ao grupo TAVI (8,5% vs. 12,5%; p=0,046).


Dessa forma, a TAVI foi não inferior em relação à cirurgia no que tange morte, AVC e reinternações em 2 anos.


É importante observar que um seguimento maior, vai ajudar a ter um panorama mais claro em relação a essa população. Um dado adicional, e que precisa ser avaliado em outras publicações é que foi observado maior incidência de trombose valvar no grupo TAVI (2,6% vs. 0,7%, p=0,02). Além disso, o grupo tratado pelo método percutâneo apresentou menor incidência de fibrilação atrial (7,9% vs. 41,8%) e mais de novo bloqueio do ramo esquerdo (24,4% vs. 9,4%; p < 0,001).


Outro destaque é que a diretriz brasileira, TAVI e cirurgia são os tratamentos de escolha em pacientes de alto risco cirúrgico (Classe I, nível de evidência A) e uma alternativa em pacientes com risco cirúrgico intermediário (Classe IIa, nível de evidência A)

REFERÊNCIAS

  1. Mack MJ, Leon MB, Thourani VH, Makkar R, Kodali SK, Russo M, et al. Transcatheter Aortic-Valve Replacement with a Balloon-Expandable Valve in Low-Risk Patients. N Eng J Med. 2019; 380(18):1695-1705.

  2. Tarasoutchi F, Montera MW, Ramos AIO, et al. Atualização das Diretrizes Brasileiras de Valvopatias: Abordagem das Lesões Anatomicamente Importantes. Arq Bras Cardiol 2017; 109(6Supl.2):1-34.




Dr. Guilherme D`Andréa Saba Arruda

Médico Coordenador da Cardiologia – Regional SP

Médico Cardiologista Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia

Especialista em Cardiologia pela SBC e Terapia Intensiva- AMIB

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