• Dra. Renata Mattos Silva

Introdução às cardiopatias congênitas no adulto

Introdução às cardiopatias congênitas no adulto


As cardiopatias congênitas tradicionalmente eram “responsabilidade” da cardiologia pediátrica. No entanto, graças ao aperfeiçoamento das técnicas cirúrgicas e ao diagnóstico mais preciso, os pacientes cardiopatas congênitos têm uma sobrevida cada vez maior, passando a estar sujeitos também a condições que se agravam com a idade, como diabetes e hipertensão arterial. O acompanhamento dessa população, portanto, pode ser desafiador e requer uma equipe capaz de entender e conectar todos os aspectos clínicos, anatômicos e fisiopatológicos de cada paciente.


Para fins didáticos, podemos classificar de maneira bem simplificada o paciente adulto com cardiopatia congênita em três grandes grupos:

  1. Cardiopatias com pouca ou nenhuma repercussão na infância e adolescência, que chegam até a idade adulta sem diagnóstico ou sem tratamento;

  2. Cardiopatias complexas que sofreram cirurgias paliativas;

  3. Pacientes que sofreram cirurgias ou procedimentos percutâneos corretivos com lesões pós-operatórias tardias.

No primeiro grupo, o principal exemplo é comunicação interatrial. Tipicamente ela traz poucos sintomas na infância, podendo levar a arritmias e hipertensão pulmonar na 3ª ou 4ª década de vida. A coarctação da aorta também é uma condição comumente diagnosticada no adulto.


No segundo grupo, pensamos principalmente nas cardiopatias com paliação univentricular, que na idade adulta provavelmente já terão chegado à cirurgia de Fontan. As complicações tardias dessa cirurgia são muitas vezes de difícil tratamento e demandam um entendimento profundo da fisiologia cardiovascular.

Finalmente, no terceiro grupo encontramos comumente pós-operatórios de correção de tetralogia de Fallot, coarctação da aorta, transposição dos grandes vasos, etc.


A partir desta introdução, pretendemos nos aprofundar neste tema tão fascinante, através da revisão de artigos e relatos das nossas experiências. Esperamos que essa seção de cardiopatias congênitas seja muito útil para todos os colegas.

Autora: Renata Mattos Silva

Cardiologista Pediátrica e Hemodinamicista do Instituto Nacional de Cardiologia

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