• Dr. Guilherme D`Andréa Saba Arruda

Estudo: SMART MI

ESC 2021: Comentário sobre o Estudo SMART MI.


O estudo apresentado na Sessão do ESC 2021 traz atualizações sobre o implante de um monitor cardíaco na detecção de arritmias graves em pacientes de mais alto risco, pós infarto agudo do miocárdio com disfunção autonômica e função ventricular esquerda moderadamente reduzida.


Os pesquisadores avaliaram 400 pacientes com esse perfil em 33 centros da Alemanha e Áustria para o implante do dispositivo e monitorização remota versus o tratamento convencional. Todos os pacientes eram sobreviventes a um infarto agudo do miocárdio e tinham ritmo sinusal com FE de 45%. A mediana de idade foi de 60 anos e 20% eram do gênero feminino. O desfecho primário foi o tempo para detecção de eventos arrítmicos. A mediana do seguimento foi de 21 meses, sendo que 11 pacientes faleceram no grupo do implante do dispositivo comparado a 9 do grupo considerado controle.


Com relação aos resultados encontrados, temos que o end point primário ocorreu em 29,9% (n=60) dos pacientes selecionados para o implante do dispositivo e 6% (n=12) no grupo controle. Os pesquisadores observaram uma melhora na detecção em todos os tipos de arritmias no grupo do implante, incluindo fibrilação atrial, bloqueios atrioventriculares de alto grau, taquicardia ventricular não sustentada, taquicardia/fibrilação ventricular sustentada. É importante observar que a detecção de arritmias por parte do dispositivo foi associada a 6,82 vezes um risco maior de eventos adversos cardíacos maiores e eventos cerebrovasculares.


O investigador principal, Axel Bauer, acrescenta que os pacientes pós infarto e com disfunção autonômica e apenas redução moderada da função ventricular esquerda desenvolvem um alto número de eventos arrítmicos subclínicos que podem ser detectados precocemente por meio do uso dos dispositivos.


O estudo possui algumas limitações tendo em vista o foco apenas na questão do diagnóstico e ter uma amostra de análise pequena e um tempo de seguimento curto, ficando com um poder limitado na detecção de diferenças nos desfechos clínicos. Novos estudos serão necessários se a detecção precoce pode acarretar melhora de desfechos.



Dr. Guilherme D`Andréa Saba Arruda

Médico Coordenador da Cardiologia Rede D`Or Regional São Paulo

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