• Dr. Guilherme D`Andréa Saba Arruda

Comentários sobre o estudo DOREMI trial

O estudo DOREMI foi publicado na revista New England e traz importante discussão sobre o manejo de inotrópicos dentro do cenário do choque cardiogênico.


O estudo foi desenhado para pacientes receberem milrinone ou dobutamina. O estudo tinha como desfecho primário o composto por óbito intra-hospitalar por todas as causas, parada cardíaca, necessidade de transplante cardíaco ou suporte circulatório mecânico, infarto do miocárdio não fatal, ataque isquêmico transitório ou acidente vascular encefálico diagnosticado por neurologista ou início de terapia renal substitutiva. O desfecho secundário inclui cada item listado no desfecho primário.


Em relação aos resultados, foram incluídos um total de 192 pacientes, sendo 96 em cada grupo. Quanto ao desfecho primário, os resultados foram semelhantes em ambos os grupos (49% no grupo milrinone vs 54% no grupo dobutamina (risco relativo 0,9 com Intervalo de confiança-IC de 95%- 0,69- 1,99; p=0,47).


Com relação ao desfecho secundário, também não existiu diferença, incluindo morte (37% e 43%, respectivamente; risco relativo 0.85; 95% IC (0.60 a 1.21), parada cardíaca ressuscitada (7% e 9%; risco relativo, 0.78; 95% IC, 0.29 a 2.07), necessidade de suporte mecânico (12% e 15%; risco relativo, 0.78; 95% IC, 0.36 a 1.71), ou inicio de terapia substitutiva renal 22% e 17%; risco relativo, 1.39; 95% IC, 0.73 a 2.67).


Os pacientes foram incluídos entre o período de 01/09/2017 e 17/05/2020. As características dos grupos foram similares, tanto quanto ao perfil demográfico, como também com relação as Comorbidades. A metodologia envolveu o uso de medicações sendo preconizado as doses padrões determinadas de acordo como uma escala de 01 a 05 (2,5, 5,0, 7,5, 10 e maior que 10mcg/kg/min) para dobutamina e para milrinone as doses foram 0,125, 025, 0375, 0,5 e >0,5 mcg/kg/min. Os ajustes eram feitos baseados em condutas estabelecidas por time, tomando por base o julgamento clínico. O uso de cateter de artéria pulmonar não foi de rotina. No momento da randomização 10 pacientes utilizaram balão intra-aórtico e 23 cateteres de artéria pulmonar.


Em relação aos grupos não houve diferença com relação a frequencia cardíaca, pressão arterial, e nível de lactado. A incidência de efeitos adversos foi alta em ambos os grupos. Existe algumas limitações em relação ao estudo, tendo em vista que o ajuste das doses era feita pela médico em vez de protocolos baseadas em medidas bioquímicas e hemodinâmicas. Outro ponto observado é que foi apenas um centro participante, o que limita a validade externa e sua generalização. Além disso, o estudo foi calculado esperando uma grande diferença no tratamento. Dessa forma, o estudo apresenta limitação em determinar pequenas diferenças entre os grupos.


Referência Bibliográfia:

1- Mathew R, et al. N Engl J Med 2021; 385:516-25



Dr. Guilherme D`Andréa Saba Arruda

Médico Coordenador da Cardiologia Rede D`Or Regional São Paulo

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